AGENDE SUA VISITA 4994.8157
Comment are off

Palavra da Coordenação

Este mês escolhi o texto Flores na Estrada, uma história popular de autor desconhecido, pois pretendo compartilhar com vocês, sementes que jogamos na estrada e nos permitem colheitas.

Educar, seja formal ou informalmente, é um eterno ato de lançar sementes. Algo de bom sempre floresce, quando menos esperamos.

É com essa proposta que a muitos anos utilizamos o aniversário de Santo André como ferramenta de formação cidadã. A proposta pedagógica com essa comemoração, e tantas outras de nosso calendário, é trabalhar com a reflexão, o conhecimento e a vivência de situações que vão muito além dos muros da escola.

No caso do aniversário de Santo André, certamente, é de suma importância conhecer a história da cidade e seu hino. Mas, aproveitamos também para propor aos alunos, dentro de cada faixa etária, uma reflexão sobre a realidade de nossa cidade e sobre a forma que interagimos em relação a ela no papel de munícipes.

Por isso, o estudo sobre a cidade de Santo André tornou-se um projeto permanente, realizado de 1º ao 9º ano, nos meses de Março e Abril.

Esse ano iniciamos a proposta com o retorno ao Museu de Santo André. Tivemos alguns questionamentos a respeito da retomada da visita que já havia acontecido no ano passado. Mas, como tudo é planejado com muita atenção, nossa proposta se pauta no fato de que o museu é um equipamento público que permite um aprendizado infinito, a cada revisita. Foi o que aconteceu com nossos alunos. Além das exposições permanentes, que trouxeram novos olhares aos que já conheciam o espaço, foi possível observar novas exposições. Vale ressaltar também, que essas saídas pedagógicas permitem que os alunos possam aplicar os conhecimentos adquiridos na escola em novas situações nos dando a certeza de que o que se aprende se leva para a vida. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a turminha do 3º ano que identificou o gênero textual “legendas” nas fotos expostas no museu. Coisa “mais linda de ver” uma criança de sete anos que diz “eu sei que a história era essa porque li a legenda”!

Nossa pretensão era encerrar o projeto com a visita ao Paço Municipal, abordando o que a cidade oferece em termos culturais, como a biblioteca e o teatro e com os maiores trabalhar a questão dos três poderes. A partir disso, toda nossa equipe – comprometida com a proposta da escola – criou, para cada turma, um trabalho a respeito da cidade de Santo André, que resultou numa sequência de atividades específicas para cada faixa etária.

Envolveu-se também no projeto a professora Carminha que buscou contato com os vereadores Eduardo Leite e Luiz Zacarias que receberam nossos alunos na visita à Câmara dos vereadores, enquanto os pequenos conheceram a biblioteca e gibiteca pública.

No dia da visita à Câmara, os alunos do 3º ano da manhã, apresentaram um documento ao vereador Eduardo Leite, com os apontamentos levantados sobre os estudos sobre o nosso bairro e os alunos do 5º ano apresentaram o Projeto de Lei elaborado por eles, através do vereador Luiz Zacarias que objetiva a sinalização para manutenção do silêncio nos arredores das escolas públicas e privadas.

Nossa colheita foi farta! A satisfação dos alunos nessa visita, os elogios ao preparo que nossos alunos apresentam nessas atividades, a divulgação dos trabalhos na mídia e acima de tudo a certeza de que estão aprendendo que a participação a favor do bem comum é possível, de forma organizada e participativa.

Deixo meu agradecimento a toda equipe do Colégio Caminhar, a esses alunos mais que especiais e a todos que nos apóiam na “semeadura”de um mundo melhor!!!

Flores na Estrada…

(Autor desconhecido)

Um homem morava numa cidade grande e trabalhava numa fábrica. Todos os dias ele pegava o ônibus das 6h15m e viajava cinqüenta minutos até o trabalho. À tardinha fazia a mesma coisa voltando para a casa.

No ponto seguinte ao que o homem subia, entrava uma velhinha, que procurava sempre sentar na janela. Abria a bolsa tirava um pacotinho e passava a viagem toda jogando alguma coisa para fora do ônibus.

Um dia, o homem reparou na cena. Ficou curioso. No dia seguinte, a mesma coisa.

Certa vez o homem sentou-se ao lado da velhinha e não resistiu:

– Bom dia, desculpe a curiosidade, mas o que a senhora está jogando pela janela?

– Bom dia, respondeu a velhinha. – Jogo sementes.

– Sementes? Sementes de que?

– De flor. É que eu viajo neste ônibus todos os dias. Olho para fora e a estrada é tão vazia.

E gostaria de poder viajar vendo flores coloridas por todo o caminho. Imagine como seria bom.

– Mas a senhora não vê que as sementes caem no asfalto, são esmagadas pelos pneus dos carros, devoradas pelos passarinhos. A senhora acha que essas flores vão nascer aí, na beira da estrada?

– Acho, meu filho. Mesmo que muitas sejam perdidas, algumas, certamente, acabam caindo na terra e com o tempo vão brotar.

– Mesmo assim, demoram para crescer, precisam de água.

– Ah, eu faço minha parte. Sempre há dias de chuva. Além disso, apesar da demora, se eu não jogar as sementes, as flores nunca vão nascer.

Dizendo isso, a velhinha virou-se para a janela aberta e recomeçou seu “trabalho”. O homem desceu logo adiante, achando que a velhinha já estava meio “caduca”.

O tempo passou…

Um dia, no mesmo ônibus, sentado à janela, o homem levou um susto, olhou para fora e viu margaridas na beira da estrada, hortênsias azuis, rosas, cravos, dálias. A paisagem estava colorida, perfumada e linda.

O homem lembrou-se da velhinha, procurou-a no ônibus e acabou perguntando para o cobrador, que conhecia todo mundo.

– A velhinha das sementes? Pois é, morreu de pneumonia no mês passado.

O homem voltou para o seu lugar e continuou olhando a paisagem florida pela janela. “Quem diria, as flores brotaram mesmo”, pensou. “Mas de que adiantou o trabalho da velhinha? A coitada morreu e não pode ver esta beleza toda”.

Nesse instante, o homem escutou uma risada de criança. No banco da frente, um garotinho apontava pela janela entusiasmado: Olha mãe, que lindo, quanta flor pela estrada. Como se chamam aquelas azuis?

Então, o homem entendeu o que a velhinha tinha feito. Mesmo não estando ali para contemplar as flores que tinha plantado, a velhinha devia estar feliz. Afinal, ela tinha dado um presente maravilhoso para as pessoas. No dia seguinte, o homem entrou no ônibus, sentou-se numa janela e tirou um pacotinho de sementes do bolso.

 

Abraços,

Kátia

katia@colegiocaminhar.com.br