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Palavra da Coordenação – Outubro

INTERTEXTO

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Bertolt Brecht

 

 

Alguns textos não precisam de explicação, pois conseguem em poucas palavras exprimir sentimentos verdadeiros e significativos para qualquer pessoa. Eu gosto muito dos textos de Brechet, especialmente por que neles encontro um foco pedagógico que leva o ser humano a refletir sobre sua condição em contato com o meio social no qual está inserido.

Esse texto em especial nos faz refletir sobre uma condição muito especial e peculiar ao ser humano: a empatia.

Importar-se com o outro e perceber que tudo que acontece com os que estão ao nosso redor interfere em nossa vida, em nosso cotidiano, é uma percepção que precisa ser muito trabalhada nos dias de hoje.

Nos últimos anos fomos preparados para ser individualistas e conseguirmos sucesso a qualquer custo. Fomos ensinados que o mundo é dos “melhores” e que se não nos enquadrássemos nesse grupo estaríamos fadados ao descaso. Quem de nós não se lembra das salas especiais que existiam nas escolas? Ou das divisões que compunham as próprias salas de aula em fileiras distintas para os que eram gênios e os que tinham dificuldades.

Passamos agora por um momento de transição, mas ainda observamos muitas instituições e pessoas que tem a mesma postura.

Os humanos são seres naturalmente sociais, por isso, precisamos estar em uma comunidade sadia, para nos relacionar, ter uma convivência positiva e consequentemente alcançar nossos objetivos, que não necessariamente são atingidos em detrimento dos objetivos do outro.

Quando nos importamos com o outro e nos percebemos como parte fundamental dessa engrenagem que se chama comunidade, podemos tomar atitudes mais reflexivas, evitar julgamentos premeditados e tomar decisões mais assertivas.

Ao nos colocar no lugar do outro, podemos compreender de forma mais clara os acontecimentos, facilitar a resolução de conflitos e perceber que nem sempre as coisas tem a proporção que damos a elas.

Nós acreditamos que é preciso desenvolver a empatia, por isso, trabalhamos essa virtude com nossos alunos em todas as oportunidades que surgem na escola. Eles são orientados a perceber que todos as pessoas que estão na escola são humanas, que todos acertam e erram, porque isso faz parte do ser humano, e que o diálogo e a capacidade de ver um mesmo fato de várias perspectivas contribui para que possamos encaminhar as coisas de forma pacífica e assertiva.

A cultura da paz deve partir de cada um de nós.

Um grande abraço!

Kátia

 

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